06 abril 2011

História colectiva do 1º ciclo

O pobre Campónio e o Burro falante
Não há muito tempo atrás, numa noite de Verão, estava Joaquim (mais conhecido por Quinzinho) a observar atentamente o luar. Era noite de lua cheia e os campos alentejanos, iluminados, transmitiam a calma característica desta região.
Joaquim, um pobre campónio alentejano, era uma espécie de bobo da corte lá da terra. Tal sucedia porque Quinzinho conversava com o seu burro, jurando a pés juntos que ele lhe respondia.
A certa altura, algo de muito estranho aconteceu: um agente da autoridade foi convocado para fazer uma rusga em casa do Joaquim. Essa rusga resultou de uma chamada anónima para a esquadra da polícia, informando que Quinzinho teria roubado, à vizinhança, alguns fardos de palha para alimentar o seu burro falante.
Quando o polícia Henrique entrou na velha casa do Quinzinho, algo lhe cheirou a esturro. Ele desconfiou logo quando viu uma porta fechada com um cadeado ferrugento:
-Sr. Joaquim, porque é que tem esta porta fechada a cadeado? – Nesta altura o Quinzinho ficou atrapalhado e respondeu com voz trémula:
- Porque tenho esta porta fechada a cadeado? Ora bem porque, porque, … tenho lá os meus alimentos e como sou pobre, não quero que ninguém os roube! – Apesar da justificação, o polícia Henrique não acreditou e pediu-lhe que abrisse a porta. Quando entrou, ficou boquiaberto com o que viu: vários fardos de palha, empilhados uns em cima dos outros. Então, o polícia perguntou-lhe.
-Se você é pobre como conseguiu arranjar esta palha toda?
- Foi um amigo que me deu esta palha, para alimentar o Orelhas.
- Quem?!
- É o meu burro falante! - Respondeu o Quinzinho entusiasmado. Mas o polícia não acreditando nisso, perguntou:
- Um burro falante? Não me faltava mais nada! Ora vamos lá então ver esse burro.
- Com certeza Sr. polícia. O problema é que o Orelhas é muito envergonhado e só fala comigo. Por isso eu proponho o seguinte: o Sr. esconde-se atrás da porta, e eu entro e começo a falar com ele. – O polícia Henrique concordou e lá foram eles até ao estábulo.
Chegando ao estábulo, o polícia, como o combinado, escondeu-se atrás da porta e o Quinzinho dirigiu-se para junto do seu burro falante.
- Olá Orelhas! Bom dia! Passaste bem a noite? - Perguntou o Quinzinho
- “Oãn iugesnoc rimrod”.- Respondeu o burro.
- O quê? Tiveste insónias, porquê?
- “Evit serod ed agirrab e sotimov adot etion”. - Voltou a responder o burro.
- A palha que te dei, deu-te cólicas!
O polícia Henrique, pasmado com a conversa daqueles dois, sai de trás da porta e exclama:
- Com mil macacos, isto é fantástico! Que língua estranha fala esse animal?!
- Ó Senhor polícia, a semana passada veio cá o veterinário e teve de lhe arrancar três dentes. Por isso, o Orelhas fala um bocadinho mal. Mas eu já estou habituado e percebo-o bem!
- Mas então e os fardos de palha? Quem foi esse amigo que lhos deu? Estou a achar isto tudo muito estranho!
- Então venha cá à minha cozinha que eu faço-lhe um chá de camomila porque a história é comprida e você está muito nervoso.
E lá foram os dois…
Quinzinho começou com muitos enredos e acabou por dizer que o seu amigo tinha ganho o euromilhões,  e por isso, lhe tinha dado toda a palha da sua quinta e ido de férias!
O polícia, desconfiado da história que o Quinzinho lhe contou, perguntou:
- Onde é essa quinta e quem é esse amigo?
Quinzinho, muito atrapalhado, disse ao polícia que a quinta do seu amigo Mãos Largas ficava na Terra do Nunca.

30 março 2011

Dia Internacional do Livro Infantil


Mensagem do dia 2 de Abril de 2011,
Dia Internacional do Livro Infantil
“Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.”
No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953).
Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século XIX. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice.
Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época.
Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos.
Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então.
O livro recorda o tempo em que foi escrito.
A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século XIX, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra — que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava.
São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississippi em finais do século XIX, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas.
Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia.
O livro recorda.

Tradução: José António Gomes

Nascida em 1932, na Estónia, Aino Pervik publicou cerca de meia centena de livros para crianças, a par de poesia e narrativas para adultos. Distinguida com vários e prestigiosos prémios e traduzida em diversas línguas, obras suas têm sido adaptadas ao teatro e ao cinema. A velha mãe Kunks, Arabella, a filha do pirata, Paula aprende a sua língua (integrado numa série protagonizada pela mesma personagem), são apenas três dos seus títulos mais conhecidos.


A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY

28 março 2011




  No dia 24 de Março, os alunos do AVERT ( 3º F, 5ºB, 5ºD e 8ºE) puderam conversar com a escritora Luísa Azevedo sobre o seu livro:
  A escritora falou sobre as motivações que a levaram a escrever e respondeu a todas as questões dos alunos incentivando-os à leitura e à escrita.
   Foi uma tarde muito agradável.

   Obrigada a todos.

Dramatização na "Semana da Leitura"

No âmbito da actividade “Semana da Leitura” promovida pelo PNL, o nosso agrupamento desenvolveu vários eventos junto da sua comunidade escolar (de 21 a 25 de Março 2011) e participou também na “Semana Concelhia da Leitura” (de 2 a 5 de Março 2011) juntamente com as Bibliotecas Escolares do concelho, com a Câmara Municipal de Gondomar e a sua Biblioteca Municipal.
Para assinalar estas datas, a Biblioteca Escolar trabalhou arduamente para levar ao palco a obra dramática De Pedra… Só as Muralhas, da Doutora Emília Costa, nossa docente. Coube às professoras Agostinha Gomes e Palmira Ferreira a tarefa de ensaiar os alunos do 8ºC ao longo do período. Os Professores Alice Rêgo e António Morgado também contribuíram para as duas representações, uma no auditório da BMG (2 de Março) e a outra na cantina da nossa escola sede (24 de Março).
O espectáculo foi um sucesso, sendo muito elogiado pela representante da CMG, Dra. Liliana Pires, que não se cansou de tecer louvores aos nossos pequenos grandes actores.

A todos os nossos parabéns.

22 março 2011

Exposição dos trabalhos do concurso "Faça lá um Poema" do PNL


Aqui fica a imagem da exposição de alguns trabalhos do concurso "Faça lá um poema" promovido pelo PNL (Plano Nacional de Leitura).
A todos os participantes o nosso bem-haja.

Declamação do poema Iniciação na "Semana da Leitura"

Poema de Ademar Santos

(dedicado a todos os professores do AVERT)

Iniciação

Não cobiço nem disputo os teus olhos
não estou sequer à espera que me deixes ver através dos teus olhos
nem sei tão pouco se quero ver o que vêem e do modo como vêem os teus olhos
Nada do que possas ver me levará a ver e a pensar contigo
se eu não for capaz de aprender a ver pelos meus olhos e a pensar comigo
Não me digas como se caminha e por onde é o caminho
deixa-me simplesmente acompanhar-te quando eu quiser
Se o caminho dos teus passos estiver iluminado
pela mais cintilante das estrelas que espreitam as noites e os dias
mesmo que tu me percas e eu te perca
algures na caminhada certamente nos reencontraremos
Não me expliques como deverei ser
quando um dia as circunstâncias quiserem que eu me encontre
no espaço e no tempo de condições que tu entendes e dominas
Semeia-te como és e oferece-te simplesmente à colheita de todas as horas
Não me prendas as mãos
não faças delas instrumento dócil de inspirações que ainda não vivi
Deixa-me arriscar o barro talvez impróprio
na oficina onde ganham forma e paixão todos os sonhos que antecipam o futuro
E não me obrigues a ler os livros que eu ainda não adivinhei
nem queiras que eu saiba o que ainda não sou capaz de interrogar
Protege-me das incursões obrigatórias que sufocam o prazer da descoberta
e com o silêncio (intimamente sábio) das tuas palavras e dos teus gestos
ajuda-me serenamente a ler e a escrever a minha própria vida.

Poema Metade na BE durante a "Semana da Leitura"

 Metade,  de Ferreira Gullar

Que a força do medo que eu tenho,
não me impeça de ver o que anseio.

Que a morte de tudo o que acredito
não me tape os ouvidos e a boca.

Porque metade de mim é o que eu grito,
mas a outra metade é silêncio…

Que a música que eu ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste…

Que a mulher que eu amo
seja para sempre amada
mesmo que distante.

Porque metade de mim é partida,
mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece
e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas,
como a única coisa que resta
a um homem inundado de sentimentos.

Porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz
que eu mereço.

E que essa tensão
que me corrói por dentro
seja um dia recompensada.

Porque metade de mim é o que eu penso,
mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo
se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto,
um doce sorriso,
que me lembro ter dado na infância.

Porque metade de mim
é a lembrança do que fui,
a outra metade eu não sei.

Que não seja preciso
mais do que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito.

E que o teu silêncio
me fale cada vez mais.

Porque metade de mim
é abrigo, mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta,
mesmo que ela não saiba.

E que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade
para fazê-la florescer.

Porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada.

Porque metade de mim é amor,
e a outra metade…
também